Pedido de socorro
Ja se passaram quase 5 anos do fato ocorrido que estou preste a compartilhar, mas ainda lembro de cada detalhe como se vivenciasse todos os dias.
O sol como já de costume se ia, dando lugar a escuridão da noite, que trazia consigo meus medos e meus pesadelos. Anunciando de forma fria o fim de mais um dia.
Me recusei a abraçar meus lençóis, e deixar que o silêncio da noite me aprofundasse aos meus pesadelos. Invés disso me apeguei a insônia a cada gole de café quente que descia por apulso guela abaixo. E como castigo por ir contra a natureza do meu destino, a noite parecia se expandir como se testasse meus limites. O vento frio invadia as frestas através dos buracos da velha casa de madeira, produzindo assobios agudos e prolongados chegando aos meus ouvidos como uma doce canção de ninar produzida pelo cansaço,isso fez meus pensamentos silênciarem aos poucos. Já havia se passado das 2:00, me senti tentada a fechar meus olhos, tentava relutar, porém minhas pálpebras estavam pesadas, me dei por vencida e me aprofunde na escuridão do meu cansaço. Me levando aquele fatídico dia.
Me levantei , com dificuldade conseguir erguer minhas pálpebras que relutavam pelo cansaço resultado pela minha teimosia, minhas vistas tentavam se acostumar com a estranha neblina que como mágica havia invadido todo o ambiente, trazendo consigo um suspense suspeito. Tudo a minha volta parecia igual. Mesmo pelo neblina misteriosa. Por morar em uma cidade que tende a ser frio a maior parte do ano, ainda não havia me adaptado as bruscas mudanças de tempo. Seguir com pés descalços, sentir o frio em contato com a minha pele me manteria acordada. Caminhei em direção o lado de fora da casa sem noção do que me aguardava. Sem muito esforço a neblina abriu espaço, e a poucos metros avistei uma mulher.
Ela estava sentada em um banco de madeira, cabelos negros como a escuridão, e extensos como a noite. A feição no seu rosto me intrigava, seu sorriso era convidativo, me fazendo o retribuir, mas seus olhos me passavam tristeza e dor. Me aproximei sem muito compromisso e fui surpreendida por um elogio.
Você tem o sorriso muito lindo!
Fiquei agradecida e lhe respondi da mesma forma. Mas algo no seu semblante mudou drasticamente, agora a tristeza estava tonalizada em sua face, e mas uma vez fui surpreendida com sua fala, agora em tom de angústia.
Obrigada, mas eles arrancaram meu sorriso.
Sua pele se desmanchava como tinta em água, mostrando seus ossos expostos. Seu cabelo antes negro e longo como a noite, agora estava ralo e em fios menores, dando vista aos traumas em seu crânio. No lugar dos seus globos oculares, habitavam larvas que se mexiam umas as outras formando um ruído agonizante. A jovem mulher de sorriso convidativo já não existia mas, agora em minha frente sua versão cadavérica, se decompondo como uma fruta caída dos seus galhos. Antes que eu pudesse falar alguma coisa, a mulher se apressou em dizer de forma óbvia que estava morta.
eles me mataram! Eles me mataram!
A aflição e o ódio era transmitida com ênfase em cada síbala de suas frases repetidas.
Tentei sair daquele pesadelo, mas meu corpo cansado não respondia. Descansava o sono dos justos, respirava leve como brisa de outono mediante ao terror que eu estava prestes a vivenciar. Me tornei fraca diante ao medo, e fui sugada para a escuridão. Onde pude vivenciar os últimos suspiros de vida daquela pobre mulher. Tudo era escuridão, sem chance de defesa alguma, sentir na pele cada golpe desferido com lâmina fria rasgarem minha carne, deixando o oxigênio arder em minhas feridas. Minha voz havia sido abafada pelo gosto metálico do meu próprio sangue.Os golpes transmitiam som similares a passos de pés descalços em poças de chuva. Como se anunciasse a chegada da morte, que me acolheria em seus braços frios e me daria um beijo de misericórdia. O sangue expelia como gostas de chuvas, me levando pela última vez em suas boas memórias.
Uma tarde serena, chuva fria que prometia não cessar tão cedo. Formando pequenas poças de água no solo de asfalto, aonde algumas crianças se divertiam sem supervisão adulta. O tom cinza se destacava na praça, deixando o lugar como cenário de filme dos anos 90. Mas assim como a neblina da manhã que invadirá a atsmofera sem avisa. Tudo se apagou, dando lugar a terrível realidade. me vi caindo em uma escuridão sem fim novamente. Fui acolhida pelo solo fértil, que se alimentava impiedosa de carne ainda quente.
Minutos de toda aquela tortura, parecia ter sido anos. Após ver transmitido em mim seu sofrimento, a pobre vitima me levou até onde seu corpo havia sido sepultado.
Em um lugar desconhecido por mim, uma casa comum porém vazia, do lado de fora da casa, uma cova rasa, lá estavam seus restos mortais. Do mesmo jeito que havia surgindo para mim. Ao analisar entendi seu receio. Assim como eu, seu corpo descansava, mas sua alma vivia diariamente em tormenta ansiava por bons sonhos. Ela me suplicou que a ajudasse, mas como eu poderia?! Trocamos um último olhar antes que minha consciência fosse recordada. Ainda sentia todas as emoções misturadas a flor da pele, e naquele momento aprendi que não poderia negar ao meu corpo o descanso merecido que muitos ansiavam. Duvidei de minha própria esperiencia. Mas não conseguia deixar de pensar em tudo que havia acontecido. Meses depois enquanto assistia os noticiário, vi um caso similar. Onde a vítima havia sido atacada de surpresa, seu corpo havia sido encontrado sepultado em uma casa vazia que havia sido alugada. Ela era professora.



Comentários
Postar um comentário