Sem Descanso
Uma ligação inesperada fez seu cérebro engatilhar as memórias do seu passado. Esse a qual o impedia de seguir em frente. Desde que abandonará a pacata cidadezinha que havia lhe acolhido, havia mudando completamente, desde do seu nome, idade, até sua história. Havia lhe dado um novo recomeço da forma que julgava ter merecido. Mas isso não impediu que seu passado voltasse a lhe fazer visitas.
Do outro lado da linha se ouvia a voz trêmula de sua mãe, que tentava transparecer calma falando de forma suave, mas lhe passava um alerta. Apesar das desavenças, e sofrer com seu desprezo durante todo o período de sua existência, ele o conhecia o suficiente para saber que ela não ligaria, ainda mas o com um convite para um jantar. Era nítido que algo estava errando, e o tom em sua voz entregava. Ele prendeu a respiração mediante ao convite inesperado, estava prestes a negar e inventar qualquer desculpa, mas o sim escapou trêmulo entre seus lábios, e logo depôs a ligação foi encerrada sem mas trocas de palavras.
Encarou sua imagem transparente na janela envidracada, mas no fundo ainda se sentia aquele pequeno menino frágil. Não visitava sua família desde da morte de seu irmão mas velho. Ele havia sido uns dos principais colaboradores para sua difícil infância e adolescência lhe deixando marcas registradas como cicatrizes em seu corpo. E com isso fez crescer em si o forte desejo de vingança, fantasiava dias e noites por isso. E quando soube da doença do seu irmão, uma parte lamentava, pois era uma doença irreversível que o devoraria até seu último suspiro, umas das piores formas de morrer. Mas seu senso de justiça julgava certo vivenciar de perto a morte lenta e dolorosa do seu irmão. Parecia ser justo, Queria ver o definhar, desejava tomar seu último suspiro para si, assim como ele havia lhe arrancado parte de sua vida. Conseguiu o endereço do hospital onde seu irmão se encontrava já debilitado. Seu corpo estava desnutrido deixando transparecer seus ossos, a fraqueza havia calado sua voz, era como olhar para um defunto já em estado de decomposição. Visitava seu irmão sempre na ausência dos seus país, sabia que não falaria nada para eles, então aproveitava os momentos com seu irmão para insulta- lo, poderia somente mata lo alí mesmo, mas seria fácil demais. Queria velo sofrer, então somente assistia sua dor podia ver suas lágrimas descerem incessantemente como a correnteza. Seu semblante que implorava pelo colo da morte. Ele compriu com sua vingança, estava lá quando seu irmão deu seu último suspiro, e o tomou para o pulmão com uma longa respiração. Após a morte do seu irmão, ele só desejava enterrar seu passado junto com o cadáver daquele que devia ter o amado e protegido e poder seguir em frente, olhou uma última vez para a lápide onde seu irmão apodrecia, amaldiçoando em sussuros em seu tumulo para que sua alma sofresse em tormento e jamais encontra-se paz, selando com um cuspe em sua lápide.
Durante todo o trajeto de viagem até aquela cidade, nada mas ocupava sua mente do que as perguntas enigmáticas que só obteria até finalmente o reencontro indesejado. Oque poderia ser tão grave para que sua mãe desejasse sua presença? Se não fosse pela sua maldita curiosidade, ele jamais pisaria os pés ali.
O ar denso e familiar era sinal que havia chegado em seu antigo lar. Mesmo que anos ouvenssem se passado sem pisar naquelas terras nada ali havia mudando. O solo ainda era escuro e infértil, impossibilitado vida a novas plantações. A vista parecia estar abandonada e caia aos pedaços. O vento soprava forte como se o empurrasse para dentro da casa. Navegou em suas lembranças por um momento antes que pudesse entrar. Subiu entre os pisos barulhentos de madeira até a porta e antes que podesse bater a porta se abriu dando em vista a imagem de sua mãe que pela primeira vez parecia feliz em vê lo, lhe acolheu com um abraço frio e um sorriso forçado e o convidou para entrar. Ao dá passos para dentro a porta se trancou logo em seguida. Todos já o esperavam em volta de uma mesa farta de comida. Foi convidado a se juntar entre eles, o silêncio tomava conta do ambiente, sendo somente interrompido pelos talheres e as bocas que mastigava. Durante a refeição os pensamentos retornavam, pensou que sua presença ali se tratase de interesse, será que finalmente seus pais abaixaram a guarda e lhe pediriam dinheiro? Pelo estado deplorável da casa pensou que sim, mas a mesa farta pela deliciosa refeição o fez descartar a ideia por um momento. Seu pensamento foi interrompido por um som familiar. Gemidos de dor vinham do corredor escuro que dava acesso ao seu antigo quarto, tentou ignorar achando se tratar de sua mente lhe pregando peças. Mas o gemido soou mas alto no ambiente, fazendo seus pelos enrijecer. Em um ato ousado levantou os olhos e se surpreendeu. Todos a sua volta lhe encaram com expressão de medo, a forma de lhe olhavam como se suplica se por socorro. O ar ficou mas umido e mais frio. Encarou sua mãe que movia os lábios sem fazer som. Pode entender o que dizia. "Nos ajude"
Pode ouvir vindo do corredor a voz familiar do seu irmão chamar por seu nome, não queria e não poderia acreditar, ele estava morto! Ele mesmo presenciou de perto seu último suspiro. A única razão lógica era seus pais terem lhe descoberto, e aquilo era uma forma de punilo como faziam na infância. Ouviu passos se aproximarem e se negou a temer. Sua mãe vendo sua descrença o implorou.
Você tem que perdoa lo! Perdoe seu irmão! Enquanto ele não tiver paz nós também não teremos!
Suas súplicas se misturavam com lágrimas, ele se levantou ainda incrédulo, em passos lentos seguiu até o corredor escuro, parecia mas extenso e mas sombrio, a medida que caminhava, os passo em ritmo sincronizados aumentavam. O medo tomou conta, fazendo perceber que havia sido um erro voltar aquele lugar. Queria mostrar ser capaz de enfrentar seu passado, mas jamais conseguiria. Carregaria as cicatrizes de uma infância sombria, toda sua vida enpreguinada nas paredes daquela casa, como única testemunha de tudo que havia acontecido. Ele virou se em direção contrária, antes que pudesse dá o próximo passo, foi agarrado por uma fria, fazendo seu corpo inteiro se arrepiar. A criatura atrás de si exalava um odor de podridão fazendo suas narinas arderem, e seu corpo paralisar. A voz agora se fazia mas presente. E um tom calmo, a voz trêmula e rouca implorava por descanso
-Me conceba seu perdão! Deixe me descansar!
E mesmo paralisado pelo medo, virou se em direção a escuridão. E o que viu pode se descrever sedo literalmente seu pior pesadelo, aquele que acreditava ter enterrado estava ali perante sua presença ainda em vida. Sua carne podre se desmanchava a medida que os vermes lhe devorava, deixando exposto seus órgãos e seus ossos. Mesmo em estado avançado de decomposição, ainda estava ali de pé. Não sabia se era uma miragem, um fantasma? Real demais! Havia amaldiçoando seu irmão, e revivia em sua mente a história de Caim e Abel. Mesmo tendo sido injustiçado durante metade de sua vida, se sentia como mostro da história. Nao pode conceber ao pedido de ajuda, não conseguia perdoa lo, mesmo que tentasse pronunciar as simples sílabas, seus lábios se recusavam a entoar. Com lágrimas nos olhos cruzou a sala em direção a porta, mas de longe ainda ouvia a voz rouca de seu irmão se esforçando em gritar.
Irmão Por favor! Me deixe descansar!
Junto ao lamento de sua família que implorava juntamente por socorro. Mas ele simplesmente não conseguia. Foram anos os odiando e desejando suas desgraças, mas com todo esse sentimento de fúria, aquele ódio também havia o afetado, como uma doença hereditária. E agora o preço que ele irá de pagar pelo resto da sua vida será da culpa.


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