O andarilho
Um tumulto se agregava ao lado de fora, mesmo estando protegida dentro do carro, o barulho dos gritos era audível. fazendo minha atenção ser voltada para a confusão. Sair do carro ignorando meu instinto que tentava me convencer do contrário.De poucos metros avistei um homem que os berros e gestos clamava em desespero em frente a portaria do prédio. Era um homem parrudo, de baixa estatura, pelas poucas marcas de expressão aparentava ter menos de 50 anos. Por sua aparência, e a forma chamativa, meu senso óbvio o julgaria sendo somente um andarilho alcoólatra longe de casa. Mas,a medida que me aproximava com cautela, meus pensamentos foram substituidos.O sangue degradado se destacava no branco encardido de suas vestimentas. Isso deu vida a minha curiosidade, e meu questionamento veio em seguida. Como as pessoas não reparam em um homem naquelas condições? Talvez realmente precisasse de ajuda!
Ainda observando notei que o branco inexistente em suas vestes se mostrava em tom pálido em sua pele. Meu medo foi notório e o fez perceber que o observava.
-Você consegue me ver?
Sua pergunta me fez deduzir que talvez ele fosse somente um louco com poblemas psiquiátricos e por isso era ignorado. Percebi um vasto silêncio
e me aproximei poucos metros sem responder a sua pergunta, não sabia como dá o próximo passo aquela situação. Estava em um caminho sem volta, seus olhos apavorados vieram ao meu encontro. O silêncio não se prolongou por muito tempo, trilhei para mas perto do homem misterioso,mas um odor desagradável atingiu em cheio minhas narinas. Então notei que junto a ele havia uma grande sacola de lixo, talvez a resposta para todo seu desespero estivesse relacionado ao que havia naquela sacola.
Sua presença não era mas uma ameaça para mim ao notar o medo estampado em sua face pálida. porém ainda sim não conseguia pronunciar uma frase formada. Então afirmei positivamente com a cabeça para que entendesse que eu o via.
Minha confirmação parecia ter lhe trazido um pouco de alívio, mas ainda pedia desesperadamente por ajuda.
O mal cheiro que exalava daquela sacola preta me prendia ainda mas a atenção, me perguntava oque poderia ter ali. Talvez ele tivesse matado alguém? Mas se ele fosse um assassino não iria querer ser pego! Talvez fosse só lixo e ele precisasse de ajuda para carrega. Mas isso não faria sentindo sendo ele um homem forte. Idealizava mil suposições em minha mente, mas só fantasiar não mataria minha sede de curiosidade, decidir me arriscar a perguntar como queria que eu o ajuda se.
Você precisa chamar ajuda! Minha cabeça ficou lá! Eu preciso da minha cabeça! Precisa ir buscar!
Sua voz saia trêmula entre seus lábios
Nao conseguia entender onde queria chegar, e percebi que talvez eu tivesse cometido um erro em troca de uma curiosidade estúpida. Pensei em somente ignora lo como os outros, talvez eu estivesse certa e ele era só um louco. Aquela conversa não fazia sentindo algum. Talvez ele tenha percebido minha descrença em sua história e então mencionou a sacola de lixo misteriosa me fazendo a voltar a atenção a ele.
A sacola! Olhe na sacola! Eu só preciso de uma parte minha!
Percebi sua feição agora seria. Me aproximei com receio para perto, protegendo com o antebraço meu nariz. Ao abrir a sacola sentir um arrepio que percorreu todo meu corpo. Havia ali dentro restos de uma pessoa desmembrados em pedaços: Braços, pernas, tronco. Batia exatamente com as características do homem a minha frente. Faltando justamente a cabeça. Entrei em negação, aos poucos tudo foi se encaixando, e não literalmente. Todo seu desespero, as manchas de sangue em sua camiseta, a pele pálida, e o fato de mas ninguém além de mim consegui vê lo. O óbvio estava a minha frente o tempo todo.
Desfecho;
Ainda que fosse óbvio se tratar de alguém morto a minha frente, não poderia subir e pega uma cabeça. Então as autoridades foram acionadas, de forma anônima para não levantar suspeita a meu respeito. Já que não acreditariam na minha versão,e de fato havia um homem morto em seu apartamento. Seu corpo havia sido desmembrado e sua cabeça havia sido levada pelo seu algoz. Mas detalhes não foram esclarecidos.


Comentários
Postar um comentário